Fígado

   O fígado é a maior glândula do corpo e o segundo maior órgão (pesando cerca de 1,5 kg, situado no quadrante superior direito da cavidade abdominal, logo abaixo do diafragma. Ele é subdividido em quatro lobos — direito, esquerdo, quadrado e caudado — sendo revestido por uma cápsula delgada de tecido conjuntivo que se espessa no hilo, por onde a veia porta (70 a 80% do suprimento sanguíneo) e a artéria hepática (menor porcentagem) penetram, e por onde saem os duetos hepáticos e linfáticos. 
   O fígado funciona como uma interface entre o sistema digestivo e o sangue, processando e armazenando os nutrientes absorvidos (que chegam via veia porta, exceto lipídios complexos que chegam via artéria hepática), e sua posição no sistema circulatório é ideal para captar, transformar, acumular metabólitos e neutralizar e eliminar substâncias tóxicas. 
   Os hepatócitos são responsáveis tanto pela função exócrina, produzindo a bile (secreção que elimina substâncias tóxicas e é importante na digestão de lipídios), que é levada à vesícula biliar para concentração e armazenamento, quanto pelas numerosas funções endócrinas, incluindo a produção de proteínas plasmáticas (como a albumina e proteínas carreadoras).
   A veia porta e a artéria hepática penetram o fígado e se ramificam, sendo circundadas por tecido conjuntivo até os espaços porta entre os lóbulos hepáticos. Nos espaços porta, a veia porta envia vênulas portais (interlobulares) que se ramificam em vênulas distribuidoras, das quais pequenas vênulas desembocam nos capilares sinusoides. Os sinusoides correm radialmente, convergindo para o eixo longitudinal do lóbulo para formar a veia central, ramo inicial da veia hepática, que é uma veia de parede delgada que aumenta de diâmetro à medida que recebe mais sinusoides, deixando o lóbulo ao se fundir com a veia sublobular. As veias sublobulares convergem, formando duas ou mais veias hepáticas que saem do fígado pelo seu aspecto posterior e desembocam na veia cava inferior.